quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Algoritimo

Eis como conduzo, da letra à palavra, essa tão pra dizer o já dito: demônio delírio. É como desescrevo, assim deixo que os limites do que vejo me beija, e nem vou palestrar sobre essa garrafa: usada inumeráveis vezes, agora em repouso, sobre o baú, um azulado à atravessa, translucida, da tela de tv, adaptada para monitor.
Acha mesmo que descrevi? Falso!
Pois somente meus olhos e somente meus olhos refletem exatamente essa imagem, salvo pela distorção de sua estrutura, a do olho, a do que vejo. Tu me lê? não. Tu me sabe? Não. Apenas fingimos a dor, o tocante, o óbvio, delírio demônio. Faço-o crer que um diálogo nos percorre, ainda que esse cubo tão escuro, ainda que de negro me tomo, me supro, me caibo: suplico que o tire dos meus ombros.
Agora projeto para que vejas, vê? Vê que o nada é maquinal e sagradamente preenchido pelo tudo? É que sempre esteve aí, e subverter princípios que parecem inquebráveis é  tarefa pra quem quer ir além do quem.
Duas vozes, timbradas mútuas rasgam alcançam furam, portanto peço que pedimos ao tempo uma longitude, à cor uma saturação, à linha uma direção, à letra um sagrado, ao sonho um sentimento, à flor uma semente, aos olhos uma miragem, à perspectiva um plano, velocidade um recorte, peixe um respiro, ao véu um vento, à sombra um contraste, norma uma sondagem, ao sexo um outro, às costas um equilíbrio e à página um quem. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário